Anteriores Presidentes
A 11 de Outubro de 1926, e como refere Maurício Antonino Fernandes na Monografia "S. João da Madeira Cidade do Trabalho", é concedida ao Povo Sanjoanense a sua "carta de alforria", que lhe garantiu a partir dessa data a sua autonomia administrativa em relação a Oliveira de Azeméis.
Foram Presidentes da Câmara de S. João da Madeira:
Benjamim José de Araújo (1926-1934)
Nasceu a 5/12/1857 no lugar do Pedaço, em S. João da Madeira, onde faleceu a 11/07/1935. Emigrou novo para o Pará (Brasil), onde granjeou fortuna. Aquando do seu regresso, já como grande negociante, começou a empenhar esforços em melhoramentos da Terra, influenciando a Junta local a reparar caminhos e custeando ele próprio várias dessas obras. Conseguiu mesmo que aqui fosse instalada uma estação de Telégrafo-postal, em terrenos seus, que cedeu para o efeito durante 12 anos. Ganhou, assim, grande estima e admiração da parte de seus conterrâneos. E, embora em 1926 já contasse 69 anos, todos acordaram que ele era a pessoa mais indicada para os representar na arrancada da gestão autárquica. Devem-se a ele algumas das iniciativas que definiram as directrizes do futuro cariz urbano de S. João da Madeira, entre os quais se destaca o Mercado Municipal, em 1922 e os Paços do Concelho em 1930.
António Henriques (1934-1946)
Nasceu a 28/07/1885, em S. João da Madeira, vindo a falecer a 27/12/1953, em Santos-o-Velho (Lisboa). Emigrou para o Pará e de lá regressou para casar a 18/06/1921. Grande entusiasta dos ideais do progresso, fundou o Grupo Patriótico Sanjoanense e favoreceu as crianças com uma colónia balnear em Ofir, cuja urbanização da Praia foi por ele subsidiada. Também subsidiou os operários sanjoanenses e suas famílias, o que levou o Governo a honrá-lo, em 1944, com a Comenda da Ordem de Benemerência.
Renato de Araújo (1946-1954)
Nasceu a 30/11/1892, no lugar das Vendas, em S. João da Madeira, falecendo em 6/4/1958, em Lisboa. Era filho de Benjamim José de Araújo, 1º Presidente da Câmara de S. João da Madeira. Formado em Medicina e optimamente relacionado em Lisboa, uma vez eleito Presidente foi pessoalmente solicitar ao, então, Ministro das Obras Públicas e seu Director-Geral, Eng.º Sá e Melo, intervenção do Estado no arrojado Plano de Urbanização, assente em bases técnicas, que se propunha. Conseguiu com que fosse elaborado o 1º Plano de Urbanização, que veio a definir o centro cívico urbano, ou Praça Luís Ribeiro, o sítio do Mercado Municipal e vasta área nascente que ficou reservada à construção de prédios e destinada a ser a parte mais importante da “nova S. João da Madeira”. Mais se lhe deve a fundação do Pavilhão dos Desportos, parte do saneamento urbano e, sobretudo, a Biblioteca Municipal que lhe consagra o nome.
Manuel Vieira de Araújo (1954-1962)
Nasceu a 6/10/1887, em S. João da Madeira, onde faleceu a 9/1/1973. Nos oito anos da sua gestão, deu continuidade ao Plano de Urbanização elaborado na gestão autárquica anterior, abrindo as Avenidas Benjamim de Araújo e Dr. Renato Araújo. Favoreceu a cultura, conseguindo em 1957, a criação da primeira escola secundária, actualmente denominada por Escola Secundária Dr. Serafim Leite, bem como a construção do edifício da Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo e a instalação do Colégio Castilho. Favoreceu ainda a Arte, especialmente a Música, destacando-se a Pró-Arte uma organização musical. Em relação à Indústria, assistiu à queda do fabrico de chapéus e seus componentes que havia impulsionado com seu pai. Foi pioneiro da fábrica de lápis, fundando a VIARCO, actualmente única no País.
Daniel Ferreira Pinto (1962-1974)
Nasceu a 12/10/1921, em Rio Meão, Santa Maria da Feira. Completou a obra do Presidente anterior, numa ampla perspectiva de planeamento territorial proposta em ante-plano de urbanização pelo Arquitecto Carvalho Dias, que permitiu o crescimento ordenado de S. João da Madeira. Tornaram-se, assim, possíveis as largas avenidas de duas vias, os bons acessos ao centro cívico, os bairros sociais para professores primários, os primeiros grandes complexos habitacionais e grandes zonas industriais.
Benjamim António de Oliveira Valente (1977-1979)
Nasceu a 17/10/1935 em S. João da Madeira. Licenciado em Economia pela Universidade do Porto, administrador da Firma “Moreira, Valente e Associados – Soc. Revisores Oficiais de Contas” e foi Professor da Universidade Portucalense. Foi escolhido para presidir à Comissão Administrativa constituída logo após a queda da Ditadura e, depois, no período da instabilidade política que se seguiu. A sua obra, sempre ditada pelo consenso e aprovada por unanimidade, permitiu criar condições básicas ao ulterior desenvolvimento harmónico e equilibrado do território urbano sanjoanense. Conseguiu que fosse aprovado o Plano Geral de Urbanização do concelho, possibilitando assim a elaboração de um vasto leque de planos de pormenor, em diversas áreas e arruamentos, bem como arrojados projectos de arquitectura e de engenharia, lançados a partir desse plano. Iniciou por administração directa o arranjo do Parque Municipal Ferreira de Castro e a construção do cemitério nº3, mandou fazer estudos prévios para as instalações do Tribunal Judicial da Comarca, da Esquadra da PSP e do Aterro Sanitário, lançou no concelho a educação pré-escolar com a abertura de 12 salas entre Quinta do Conde e Escola de Fundo de Vila, assegurou a construção de uma CERCI, entre muitos outros projectos e iniciativas. Por toda a sua obra, foi-lhe atribuída a medalha de ouro de Mérito Municipal que recusou.
José da Silva Pinho (1980-1983)
Nasceu a 24/2/1937 em S. João da Madeira, tendo sido vice-presidente da 1ª Comissão Administrativa, que geriu a Câmara após o 25 de Abril. Entregue de alma e coração à causa pública, a sua obra como Presidente, embora num período de 42 meses, diversificou-se pelas áreas mais sensíveis: cultura, habitação, transportes e águas. Por exemplo, no âmbito da cultura, adquiriu o edifício da Escola Primária nº3. No desporto arrancou com a construção da zona desportiva, com a aquisição de terrenos para edificação de um Pavilhão Polivalente. Na urbanização, adquiriu o amplo espaço para o Palácio da Justiça, deu início à construção do Fórum Municipal, ampliou o Mercado Municipal e assegurou a construção do Novo Quartel da P.S.P, entre outras. Em reconhecimento da sua obra, foi-lhe atribuída a medalha de ouro de Mérito Municipal, que recusou. E, na mesma linha de conduta e defesa da mesma causa, veio a assumir a administração de “O Regional”, que revitalizou e conseguiu por ao seu serviço a Rádio Regional Sanjoanense.
Manuel de Almeida Cambra (1984-2001)
Nasceu a 8/7/1929 em S. João da Madeira. Empreendedor mas polémico, prático mas exigente, popular mas ambicioso, Manuel Cambra ergue-se no meio sanjoanense como homem forte e intransigente nos ideais políticos que o norteiam. Da sua acção no Executivo, destaca-se o dar corpo a projectos há muito sonhados e alguns paralisados, nomeadamente a conclusão do Complexo Desportivo das Corgas, do Fórum Municipal, do Centro Coordenador de Transportes, do Monumento Arquitectónico da Praça Luís Ribeiro, da ETAR do Aterro Sanitário (obras inter-municipais) e da criação da área pedonal no Centro da Cidade. No âmbito cultural, verificou-se uma política positiva de cooperação com o Ministério da Educação que resultou em diversas intervenções nas escolas locais, nomeadamente na ampliação das oficinas da Escola Secundária Dr. Serafim Leite e a construção dos polidesportivos das outras duas Escolas Secundárias, desenvolveu esforços para a instalação do Centro de Arte e para a ampliação/remodelação da Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo, entre outras iniciativas.
Manuel Castro Almeida (2002-2013)
Nascido em 1957, foi trabalhador-estudante na autarquia aos 16 anos. Regressaria como Presidente, para 3 mandatos marcados pelo rigor, visão estratégica, inovação e respeito pelos compromissos assumidos.
Renovou as escolas, requalificou a habitação social e reforçou a competitividade da economia. Deu especial atenção ao planeamento, criando condições para que novas áreas do conhecimento, inovação, tecnologia e criatividade se somassem aos setores tradicionais, num ambiente urbano atrativo, com serviços públicos eficientes e uma rede social atuante.
Uma rigorosa gestão dos dinheiros públicos permitiu-lhe reduzir a dívida municipal para menos de metade, aumentando, ao mesmo tempo, os apoios sociais, reduzindo os impostos municipais e realizando obras com financiamento europeu, como a Oliva Creative Factory, Casa da Criatividade, Sanjotec, Parque Urbano do Rio Ul, Museu da Chapelaria, Paços da Cultura e a nova Escola Secundária João da Silva Correia. Em muitos casos, estes projetos tiveram por base a recuperação de edifícios antigos, de que são também exemplos as renovadas Academia de Música e Torre da Oliva.
Nos seus mandatos, o Município concretizou iniciativas pioneiras no país, como as aulas de mandarim no 1.º ciclo, a comparticipação nos medicamentos dos idosos mais pobres, o turismo industrial e a rede wireless Sanjonet. A adesão à Área Metropolitana do Porto, a afirmação da qualidade de vida da cidade, o ajardinamento dos espaços públicos e os primeiros planos de pormenor do concelho foram outros destaques.
Não podendo recandidatar-se, face à lei de limitação de mandatos, saiu da autarquia no final do seu terceiro mandato para assumir a pasta dos fundos europeus no Governo.