
História
As origens de S. João da Madeira remontam a longínquos tempos, como comprovam os legados das civilizações celta, romana, árabe e visigótica. É, no entanto, em 1088 que aparece pela primeira vez, em fontes escritas, a menção a S. João da Madeira.
A expressão “Uilla de Sancto Ioanne de Mateira” é a primeira referência documental e surge em duas cartas de venda, em pergaminho. A designação de Madeira prende-se, ao que tudo indica, com a abundância de matéria lenhosa desde sempre existente na região.
No século XIX, S. João da Madeira regista um intenso crescimento, fruto do desenvolvimento comercial e industrial, sobretudo com a indústria dos chapéus e dos lacticínios, transformando radicalmente a situação do povoado. A prosperidade adquirida – para a qual viria a contribuir decisivamente também a indústria do calçado - só foi possível pelo dinamismo e espírito de trabalho dos seus habitantes.
Com o progresso e modernização veio a alteração radical do panorama arquitectónico da povoação. Assim, a primitiva igreja foi demolida em 1883 e no ano seguinte iniciou-se a construção da igreja nova que, a 11 de Julho de1888, era benzida e inaugurada.
Em 1908 El Rei D. Manuel II inaugurava o troço de linha de Caminho de Ferro do Vale do Vouga, contribuindo muito para o incremento das vias de comunicação paralelamente à construção de estradas e caminhos. Foi também criado o hospital, chegou a luz eléctrica e nasceu o Grupo Patriótico Sanjoanense que deu novo impulso ao progresso local.
O apogeu de todo este desenvolvimento viria com emancipação concelhia por decreto em de 11 de Outubro de 1926, sendo assim criado o concelho de S. João da Madeira. Este decreto considerava o novo concelho como o “centro industrial mais importante do distrito de Aveiro” e o seu desenvolvimento económico e social estava a ser “prejudicado, sufocado pela sua inferior categoria administrativa”.
A elevação a cidade viria em 16 de Maio de 1984, como reconhecimento do intenso labor dos habitantes de S. João da Madeira, traduzido no desenvolvimento e progresso que hoje se pode atestar nas mais diversas realizações arquitectónicas, desportivas, sociais, culturais, urbanísticas.

Heráldica
O brasão municipal foi concebido logo após a emancipação concelhia, em 1926, por um ilustre sanjoanense, o Padre Dr. Serafim Leite.
A cinco torres da coroa mural ou timbre significam que tem a categoria de CIDADE. A barra a negro, em chefe, no escudo, contendo a palavra LABOR, pretende significar que foi à custa do trabalho dos seus "Unhas Negras" que S. João da Madeira se desenvolveu e emancipou.
A fábrica, na pala direita, recorda o ânimo industrioso e empreendedor do seu Povo. O feixe, na pala esquerda, aponta a sua base agrícola inicial e o bairrismo dos seus naturais.
Os esmaltes de prata e verde coadunam-se com os símbolos nele representados.
Armas:
Escudo partido em pala, sobrepondo-se-lhe uma barra de negro, onde está inscrita a palavra LABOR a letras douradas; à direita é esmaltado de prata, sobressaindo a vermelho vivo o perfil de uma fábrica; à esquerda é esmaltado de verde, com um feixe erguido de parras de trigo dourado. Coroa mural de cinco torres de prata. Listel branco com a inscrição Cidade de São João da Madeira
Bandeira:
Esquartelada de preto e branco, com as mesmas armas ao centro; cordões e borlas de ouro e púrpura; fita branca com alinhavos pretos; haste e lança douradas.
Selo:
Circular, tendo ao centro as mesmas peças das armas, sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos a inscrição: CÂMARA MUNICIPAL DE S. JOÃO DA MADEIRA